Com a missão de acompanhar os projetos que utilizam a Nano como base, vamos apresentar neste artigo um brasileiro que foi um dos vencedores do Nano Build-off, competição que agitou a comunidade da Nano e que premiou vários projetos com mais de 75 mil dólares, Kaique Nunes.

Leia mais sobre Nano Build-off aqui.

Após ficar entre os vencedores, representando o Brasil na competição com seu projeto NanoProfile, Kaique foi destaque no site Cointimes e nos concedeu uma entrevista exclusiva contando toda sua trajetória com a Nano, mundo das criptomoedas, outros projetos vencedores e muito mais. Confira!

kaiqueAtualmente trabalhando com desenvolvimento web e também tenho renda em cripto. Comecei a investir em cripto em 2015, o que permitiu grandes ganhos.

Mas só investi justamente porque além da idéia libertária das criptos, do fato de independermos de bancos e instituições centrais, eu já compreendia tecnicamente os fundamentos da tecnologia, graças ao meu conhecimento em computação, que estudo de forma autodidata.

Muito embora eu seja entusiasta do Bitcoin, também sempre busquei tecnologias alternativas… acredito que não devemos nos prender a uma única tecnologia, pois nem todas focam nas mesmas vantagens. Graças a este pensamento eu pude investir em Ethereum e Monero quando ainda tinha pouca atenção do criptomercado e ganhei bastante com a valorização ao longo do tempo.

Só fui conhecer a Nano (na época Raiblocks) em 2017, graças ao meu amigo libertário Eduardo Tsuchida; valia 30 cents na época. Fui bem descrente a princípio, sempre busquei ser um pouco conservador para não cair em scams. Só fui comprar mesmo lá nos 3 USD (questão de 3 semanas depois), quando comecei a entender melhor o funcionamento. Na época a “Raiblocks” teve muito hype, pois mostrava-se como solução viável em tempos em que a máxima histórica do preço do Bitcoin trouxe um grande aumento no número de transações e consequentemente às taxas, que chegavam a 50 reais por transação. Claro que uma criptomoeda instantânea e sem taxas pareceu uma ótima solução. Vi a Raiblocks chegar nos 37 USD, mas optei por manter o hold da maior parte, como sempre faço. Mais tarde eles fizeram o rebrand pra Nano, o nome seria mais amigável e fácil de pronunciar.

O que me chama atenção na Nano é a tecnologia, isto prova-se com o meu interesse em desenvolver aplicações com ela. O preço não é minha prioridade aqui.

Acho fascinante termos um sistema de registro de transações imutável, descentralizado, com transações instantâneas, escalabilidade ilimitada e suporte para micro-transações com taxa zero e tudo isso não pode ser controlado por governos. Essas vantagens destacam a Nano e tornam-a ideal para diversos projetos.

Me atrai bastante o mecanismo de consenso: ao invés de mineradores gastando energia para validarem um limite artificial de blocos, temos uma rede que instantaneamente válida qualquer transação que enquadre-se como válida. E atingem consenso através de um mecanismo de Delegated Proof of Stake, que permite que qualquer um com saldo na Nano faça parte do consenso, tendo um poder de voto proporcional ao seu stake, podendo usar em seu próprio node ou delegar para o node de um terceiro.

Como a Nano não tem limites de transações, tendo uma escalabilidade ilimitada, dependendo apenas do hardware dos nodes, o spam de transações é uma preocupação. A Nano contorna isso com uma pequena prova de trabalho em cada transação.

Embora esse PoW seja rápido para dispositivos medianos e possa ser pré-computado para estar pronto assim que o usuário queira transacionar, dispositivos de baixo processamento levam vários minutos para concluir este cálculo. Um arduino, por exemplo, facilmente leva mais de 3 minutos. Isso na dificuldade atual, mas logo aumentará em 8x. O que complica para, por exemplo, usos em IOT.

Uma solução para agilizar é delegar o PoW para outro computador da rede. Ja existiam soluções para isto, mas centralizadas, como o DPoW.

Quando o NanoJam surgiu, no final de 2019, organizado pela Snapy, eu tive a ideia de descentralizar este processo de delegação do PoW da Nano.

NanoJam foi o primeiro hackaton envolvendo a Nano e também o primeiro hackaton em que participei. 

p2powLá lancei o delegated Proof of Work (agora chamado de P2PoW), que usa da segurança descentralizada do proprio modelo DAG da Nano para permitir o usuário delegarem a prova de trabalho de suas transações de forma P2P. leia mais

O usuario assina 2 transações: uma para quem ele quer enviar e outra é a recompensa do worker.

Ele pode assinar quantas recompensas quiser, pra difererentes workers competirem entre sí, mas todos estes blocos tem como “previous” o bloco da transação original que o usuario quer confirmar.

Desta forma, os workers só conseguem validarem sua recompensa se antes validarem a transação do usuário.

O proprio Colin gostou da idéia e compartilhou o projeto em seu Twitter.”

“A principio os juris do NanoJam acharam tão boa a ideia que não acreditaram que teria sido feito num unico fim de semana. Tiraram pontos do projetos e ele ficou em baixa posição. 

Na verdade eu tive a ideia em torno de 1 semana antes da competição iniciar, mas o codigo mesmo foi feito no fim de semana com todos contra-tempos. Eu foquei mais no artigo que na API em si que so foi concluida depois da competição encerrar.

Depois tudo foi esclarecido e os juris consertaram os pontos e pra minha surpresa meu projeto P2PoW ficou em primeiro lugar. Mas eles decidiram dividir a recompensa de 1000 Nano com os antigos vencedores para não serem prejudicados pelo erro.

Ainda sim foi ótimo ganhar meu primeiro hackaton, ainda mais sendo um campeonato internacional.

Em junho desse ano (2020) tivemos o Nano Build-Off, um novo hackaton dando 75 mil dólares em Nano como recompensa para as primeiras posições.

Nele apresentei o NanoProfile: um mecanismo descentralizado hibrido que permite usuarios associarem imagens de perfil às suas carteiras Nano. O objetivo é tornar as carteiras Nano mais amigáveis, aprimorando a experiência dos usuários, sem perder a a descentralização; pois também já existiam soluções para isto, mas são modelos simples que dependem de servidores centrais, como o protocolo openCAP.”

nanoprofile“NanoProfile inova nesse aspecto. A imagem é distribuida entre “replicators” atravez de uma rede P2P, a IPFS. A hash da imagem é assinada e armazenada no proprio historico de transações Nano do usuario, codificada dentro do campo Representative de uma transação especifica que pode ser encontrada facilmente por outros usuarios e os replicators.”

Artigo do NanoProfile: https://medium.com/@kaiquenunes/nano-profile-7437884e8f9a

“Este projeto deu bastante trabalho, pois foquei em diversas partes do mesmo, como:

Os nodes replicators, escritos em Python, que utilizam tanto node Nano quanto node IPFS e mantém as imagens disponíveis na rede.

O cliente em JS, servindo pra browser e pra nodeJS – Possibilita usuarios buscarem fotos de perfil de contas ou salvarem uma imagem em sua propria conta.

A API pública, que facilita pra quem que integrar o NanoProfile em qualquer tipo de linguagem sem precisar do cliente ou do replicator. 

Criei o website que apresenta o projeto, onde se encontra uma demo online do NanoProfile simples de usar. https://nanoprofile.online

Para facilitar o entendimento, também disponibilizei o artigo em ingles e o video (ingles e português).

Apresentei o projeto no Reddit e gostaram bastante. Recebi generosas doações.

Quando chegou o resultado do Nano Build-Off descobri que fiquei em 12º lugar, levando um premio de 1000 dólares em Nano.

De fato muitos projetos criativos surgiram, de aproximadamente 250 submissões, 50 apenas foram classificados, então o 12º lugar é uma conquista.

O próximo passo é implementar nickcnames onchain no NanoProfile, usando uma tecnica chamada nanoAlias (criada pelo Lucas Rodrigues, desenvolvedor da Nanollet e ativo na comunidade Nano Brasil) e implementar o NanoProfile numa nova carteira Nano ou convencer desenvolvedores de outras carteiras.

Bem, como alguns devem saber, eu também fiquei conhecido na comunidade Nano Brasil por propor uma rede social descentralizada em que tudo seria salvo onchain na ledger da Nano, dei o nome de ImagiNano. Ate cheguei a construir um chat (NanoTalk). Mas nos últimos meses estive atualizando meus conceitos. Já não acho que salvar mensagens e publicações onchain seja uma boa ideia, ainda mais na Nano. É possível, mas não viável a longo prazo.

Estou criando um novo modelo de armazenamento descentralizado de mensagens, que inclusive utiliza da tecnologia de prova de trabalho da Nano (blake2b) para evitar spam, o modelo DAG, que conecta as mensagens umas as outras, alem de assinaturas pra garantir autenticidade. Porém as mensagens podem ser enviadas diretamente ou armazenadas temporariamente em nodes da rede.

O usuário pode ficar totalmente anonimo através da rede Tor e as mensagens são criptografadas end-to-end.

Mas, voltando a Nano, ainda ha muito a ser feito nela. Tenho planos de outros projetos. Os criadores do Nano Build-Off estão planejando lançar um campeonato mensal. Se isto se realizar, poderei focar mais tempo nestes novos projetos.

Um outro grande incentivo é a comunidade Nano Brasil e a comunidade internacional. Sempre que possível dão apoio às inovações e isto aumenta nossa auto-estima em crer no futuro da Nano. Uma ótima comunidade. Inclusive o Portal Nano é um exemplo desse esforço de membros da comunidade ajudarem no crescimento da Nano. Estou ansioso para meus próximos projetos, o objetivo é levar a Nano às massas!”

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